30 de janeiro de 2012

Ansiedade


Fui desafiado. A frase, que foi uma proposta, soou-me taxativa: “Escreva sobre a ansiedade”. Pensei que seria um tema a mais, afinal, já falei sobre outros assuntos, pois é, pensei que seria fácil.
Falar sobre a ansiedade é estranho, pois me provocou justamente esse estado. Desde que fui solicitado a escrever sobre isso, tenho andado ansioso, sem saber direito por onde começar. Mas, o que é a ansiedade, afinal?
Poderia falar sobre a farmacologia com seus ansiolíticos e benzodiazepínicos e explicar suas causas, efeitos e reações. Todavia, esse blog não busca entender como o corpo reage diante das sensações, mas sim, como essas sensações cotidianas podem ser explicadas à luz da Psicologia e Psicanálise e como nós as entendemos. Desta forma, aproximo-me, mais uma vez, dos filósofos.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, dizia que a vida, por não ter sentido algum, é necessariamente sinônimo de sofrimento. Para ele, a vontade de “vencer na vida” gera uma angústia (que vamos entender como ansiedade), ou seja, a própria vontade é um mal. Ele dizia também que os momentos bons da vida, não passam de pequenos intervalos frente à infelicidade iminente.
Usando a mesma base que Schopenhauer, outro filósofo alemão, Friedrich Nietzsche chegou a uma conclusão muito interessante. Ele dizia que de todos os povos da Antiguidade, os únicos que souberam melhor lidar com a questão do sofrimento e da tragicidade humana, foram os gregos. Por quê? Porque, para Nietzsche, a sociedade grega foi concebida no princípio do equilíbrio, isto é, controlando-se os excessos, poderíamos viver de tal maneira que os nossos instintos (ou pulsões, como diria Freud) e paixões fossem controlados. A paixão entra aqui como sinônimo de tudo aquilo que nos leva à loucura, ao delírio. Entretanto, foi necessário criar um dispositivo para amenizar aqueles que tinham maior dificuldade de encontrar o equilíbrio. É aqui, então, que a arte entra, como catarse. Assim surgiram as famosas tragédias gregas, como meras representantes da angústia, do vazio e da tragicidade da vida. Nietzsche ainda vai dizer que é necessário desviar por um instante os olhos de nossa própria indigência, colocando um pouco mais de alegria na vida e que, era essa, a função da arte.
Já para o maior representante da corrente existencialista, Jean-Paul Sartre, a angústia surge no momento em que o homem se dá conta de que é livre. Para Sartre, essa liberdade não passa de uma condenação, pois sempre haverá uma escolha. É mais ou menos como Hamlet diria: “Ser ou não ser”.
Freud estudou a fundo o problema da angústia e em sua análise do aparelho psíquico, concluiu que a angústia se dá quando o Eu (que podemos chamar de consciência) não consegue um “acordo” entre o Id (pulsões, desejos) e o Supereu (instância repressora, formada especialmente pela cultura). O Eu fica, portanto, buscando um equilíbrio entre essas partes do psiquismo e, também, entre o sujeito e o social. Claro que esse estudo é muito mais profundo e complexo, mas isso é apenas a porta de entrada da linguagem psicanalítica. A angústia, usada aqui para explicar a ansiedade, tem suas diferenças físicas, psíquicas e sociais, entretanto, quando se entende uma, a outra já não parece tão distante.
Para concluir, a figura que ilustra o texto de hoje chama-se “Ansiedade” de Edvard Munch, pintor norueguês que viveu de 1863 a 1944.
Mirian, me senti desafiado e espero que tenha respondido à altura

5 comentários:

  1. Tenho achado muito bacana seus textos, apesar de nao concordar com tudo que escreve, nao estou julgando e nem estou aqui para isso, mesmo porque nao sou uma pessoa estudada e nem tao pouco culta para citar esse ou aquele autor, pintor, estudioso, escrevo por mim mesmo. Então... Ansiedade nao seria um estado em que nos desafiamos a tal proposito e queremos faze-lo bem feito? ou então é simples e puramente um efeito da mente nos pregando uma peça em que tanto faz o resultado? Ancioso por um trabalho novo (mesmo sabendo que nao sera diferente do ultimo, acabaremos descontentes como sempre, é impressão min há ou o ser humano nunca esta contente? Não importa o que tenha, como tenha onde tenha, sepre reclama, ), ancioso por encontrar a/o namorada/namorado no fim de semana (mesmo que tenha ficado o fim de semana todo com ele/ela), ancioso por que? pra que? que proposito? a vida ja tem sua diretriz?, embora cada um siga seu caminho. Disse em seu texto que um alemão disse: "a vida, por não ter sentido algum, é necessariamente sinônimo de sofrimento" como assim? nao tem sentido? o que estamos fazendo aqui? para que estamos aqui? para juntar dinheiro, comer e beber? ter um carro novo para mostrar para os outros? casa nova? se for só isso ai sim a vida nao tem o menor sentido. Acredita em Deus? nao estou dizendo em religião? em DEUS, ser supremo e criador de todas as coisas, inclusive de mim e de voce. E depois que morrermos acabou? Fim? The end? Zerou? Ate la temos de fazer coisas boas, aprendemos que devemos ser bons para com os outros, e para com nós mesmo não? Se você for bom vai pro ceu, então se for ruim para o inferno? Mas o que é ser bom? Não roubar, não matar, não usar drogas, não maltratar os animais, não jogar lixo nas ruas, economizar agua, ajudar o velhinho a atravessar a rua, não xingar a mae ou o pai. Mas ver as criança na rua pedindo e não fazer nada, isso é ser bom ou ruim? Ver um mendigo passando fome e procurando o que comer no lixo e ano ter coragem de parar e chamar ele e pagar um almoço na padaria ou no restaurante, isso é ser bom ou ruim? Ver o sujeito dentro do carro jogando sujeira pela janela, e não poder fazer nada, isso é ser bom ou ruim? Valores ou simplesmente comodismo. Pego minha gota de agua e apago o fogo, pego o meu papel de bala e guardo no bolso, faço minha pequena parte. Seria melhor se cada uma fizesse a sua, ao invés de culpar o outro e dizer Sou ansioso por um mundo melhor. Mas não fazer PORRA nenhuma.

    ResponderExcluir
  2. Bom, caro 'Anônimo', primeiramente gostaria de dizer que este blog é visitado por pessoas de todas as idades, culturas, etnias, religiões e etc, portanto, não fica bem usar palavras de baixo calão. Assim todos nos sentimos confortáveis ao ler os comentários, ok? Agora quanto ao que eu disse no texto e parece que não lhe agradou muito, só tenho que dizer que cada linha de pensamento segue uma trajetória. Você falou em Deus, criador de todos nós. Aí está, para você a vida tem sentido porquê há um Deus. Agora, para o 'alemão', um dos pensadores mais debatido e estudado de todos os tempos, que disse sobre a falta de sentido na vida, não havia um Deus. Para ele, sim, quando morremos, chegávamos ao 'the end', tomando emprestada sua expressão. Entretanto, não é porque para ele a vida não tinha sentido que tudo era permitido. É como aquela frase de São Paulo: 'Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém'. O que quero dizer com tudo isso é simplesmente que as pessoas são diferentes e lidar com a ansiedade (ou angústia) gerada por isso não é nada fácil. De resto, obrigado por acompanhar os textos e sinta-se à vontade para comentar sempre.

    ResponderExcluir
  3. Muito bom este texto, principalmente por fazer ponte com o texto anterior e eu acredito que a ansiedade também é consequencia de um vazio nosso de cada dia ou de questoes nossas "mal pontuadas". Vale também lembrar que em abordagens bem opostas a ansiedade quase sempre é vivenciada como uma sensação de preocupação em relação ao perigo futuro e é uma experiência universal, que tem como função, a sobrevivência do indivíduo. Portanto é um assunto que leva à muitas discussões e fica por reflexão avaliar-se num momento de ansiedade e buscar perceber em nome de que elas surgem.

    ResponderExcluir
  4. Elisangela Quintiliano1 de abril de 2012 09:45

    Oi Marcio, nos formamos juntos na Metodista, eu de manhã, você a noite..rs. Gostei muito do seu texto, adorei a forma de como vc colocou o tema(ansiedade)sem se afastar do ser humano, pois muitos ao pensar na ansiedade já pensam nos sintomas e quais seriam os remédios que poderiam tomar para saná-los e digo isso porque recebo pacientes ansiosos em acabar com a ansiedade, rs. Lendo seu texto confesso que tive algumas idéias que me ajudaria .Pensarmos juntos que ansiedade faz parte da humanidade me fez muito bem, não que eu já não soubesse disso, mas da forma como vc colocou me fez refletir, e isso é muito proveitoso. Parabéns!!! até mais

    ResponderExcluir
  5. Márcio E. Lopes9 de abril de 2012 12:31

    Olá Elisangela. Acredito que "pensar junto" seja mesmo a melhor solução, tanto entre os profissionais, quanto para aqueles que nos procuram. Muito obrigado pelo comentário e participe sempre que quiser. Um abraço.

    ResponderExcluir