Dias atrás, na hora de pagar as compras num supermercado, a moça do caixa me informou que não havia mais sacolas plásticas “gratuitas”, apenas as ecologicamente corretas, que são biodegradáveis e etc. Saí de lá pensando: como um cidadão, que após o trabalho, tem de passar em um mercado para comprar o jantar consegue levar as compras para casa se não quiser – e tiver que! – pagar?
Estamos numa era do “politicamente correto” que chega a dar enjôos. Tudo hoje em dia é sinal de desrespeito e violência, amparado por visões distorcidas da Psicologia que, infelizmente, são reforçadas por psicólogos de duvidosa vanguarda. O curioso é que o Brasil é um país acostumado com esse tipo de coisa. Exemplos: não se usa mais o termo “negro” para se referir a alguém negro (tirando, claro os próprios negros que só se referem a si mesmos como “negões”, o cantor e vereador Netinho de Paula, não me deixa mentir); violência infantil virou “bullyng” (deve ser porque o termo em inglês mostra mais seriedade); qualquer tipo de piada é motivo de processo e por aí afora.
Acalme-se bom leitor, não estou fazendo apologia à nada. Sou terminantemente contrário a qualquer tipo de racismo ou intolerância. O que eu quero dizer com isso é que vivemos uma época de se “tapar o sol com a peneira” gigantesca. A construção de estádios absurdamente caros para a Copa do Mundo, enquanto faltam ambulâncias em hospitais, nos dá algum indício disso.
E então, o que acontece? Tenta-se mostrar para o mundo que somos um país desenvolvido, moderno, preocupado com as questões importantes. Entre elas, o meio-ambiente. Particularmente, eu acho que tudo isso não passa de uma “jogada de marketing” perfeitamente arquitetada pelas grandes corporações. Quem lê essas linhas pode se perguntar: Afinal, do que esse texto trata? E a resposta é muito simples: hipocrisia.
Vejamos: a Copa é daqui a dois anos, e não temos hotéis, aeroportos, nem mesmo os estádios nós temos. Entretanto, todo o espetáculo acabará uma hora, mas e depois? O que acontecerá com todas essas obras feitas com o dinheiro arrecadado do contribuinte? Será mesmo que o Brasil tem condições de receber o maior evento esportivo do mundo? Se o próprio povo brasileiro é roubado até mesmo em simples sacolas plásticas, o que acontecerá com os pobres estrangeiros, que precisam de táxis, restaurantes e por que não, hospitais? Ou alguém aí acha que durante o período dos jogos ninguém utilizará serviços como esses?
Nem mesmo um show musical somos capazes de receber, como aconteceu dias atrás no Estádio do Morumbi, que foi palco para diversas atrações, entre elas: Rogers Waters, flanelinhas cobrando R$150,00 por uma vaga e, fechando com chave de ouro, um arrastão com direito a tiroteio, imagine o mundo com os olhos voltados para cá.
Parece absurdo pensar que um texto que começa falando de sacolinhas plásticas vá parar na construção de estádios, mas o que é o Brasil atual se não um absurdo? Ouço vozes me dizendo que eu deveria ponderar mais, afinal, sacolas biodegradáveis são mais limpas e ajudam o nosso planeta. Pode até ser, mas o que será que aconteceu com o restante de sacolas já prontas e que não serão mais usadas? Devem estar em algum depósito esperando seus 300 anos para se decomporem.
Sabe o que é mais engraçado? É que querem impor uma cultura no brasileiro, em nome do já falado “politicamente correto”, a qualquer custo. É mais ou menos, como querer erguer uma casa começando-se pelo telhado. Acredito que, ao invés de se tentar implantar uma cultura que não nos é comum, o que representa uma infantilização do povo, poderia ser feita uma coleta seletiva de lixo verdadeira. Afinal de contas, pode-se fazer muitas coisas com o plástico reciclado, até mesmo camisetas. O ciclo conformista seria quebrado, com algum benefício: aqueles que não têm o que vestir; os consumidores (que poderiam continuar usando suas sacolas para outras finalidades) e até mesmo, nosso Governo, sempre tão preocupado com as questões mais básicas da população. Mas, isso não daria lucro, ao contrário, custaria para os cofres públicos, não é mesmo? Então é melhor banir as sacolinhas como se elas fossem culpadas por toda a catástrofe ecológica mundial do que se pensar em algo efetivo.
Por fim, paguei minha sacola “amiga do verde” a contragosto.




